Um dos temas mais polêmicos que serão deliberados durante a 4ª Conferência das Partes (COP4), da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), em novembro, no Uruguai, é a recomendação de que os países signatários da CQCT devem restringir ou proibir ingredientes que podem ser usados para melhorar o paladar dos cigarros e torná-los mais atraentes, como açúcares, substâncias saborizantes, temperos e ervas.
Pesquisa feita no Brasil entre 2002 e 2005 pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), em parceria com a Universidade Johns Hopkins (EUA) mostrou que 44% dos estudantes brasileiros entre 13 e 15 anos que fumam regularmente preferem os cigarros aromatizados.
A iniciativa de restringir a adição de ingredientesé apontada por especialistas como excelente para prevenir a iniciação do tabagismo pelos jovens, já que essas substâncias servem para mascarar o sabor desagradável do tabaco. "A grande maioria das marcas de cigarros adiciona açúcar na composição.
Exemplos de açúcares usados em cigarros incluem glicose, mel e sorbitol. Entre as substâncias saborizantes estão mentol, baunilha e benzaldeído. Outros tipos de ingredientes também são adicionados para criar a impressão de que os cigarros são menos prejudiciais à saúde, como vitaminas C e E, frutas, vegetais e aminoácidos.
A indústria do fumo, por sua vez, diz que a proibição de adição de açúcares invibializa o uso do tabaco chamado burley, que representa 14% da produção brasileira. Esse tabaco é seco ao ar livre, o que leva à evaporação dos açúcares naturais da folha. Daí a necessidade de adicionar substâncias para produzir cigarros com melhor sabor.