Equipe de pesquisadores do Fred Hutchinson Cancer Research Center, nos Estados Unidos, realizou, pela primeira vez, o mapeamento de todo o genoma do câncer de próstata avançado e letal.
As descobertas genéticas podem esclarecer por que alguns cânceres são letais e, potencialmente, poderiam levar a novos testes de triagem para detecção precoce e novas drogas para retardar o desenvolvimento da doença.
No estudo atual, os pesquisadores identificaram uma série de fatores potenciais, erros genéticos recorrentes, que podem contribuir para a progressão da doença. Eles também descobriram várias instâncias de "hipermutação" genética, um excesso bruto de uma única letra no DNA que poderia levar o câncer a se tornar resistente às terapias comumente usadas para retardar a progressão da doença.
Para o trabalho, a equipe, liderada por Peter S. Nelson, determinou o estado mutacional de 23 cânceres de próstata humanos agressivos e letais, incluindo aqueles que sofreram metástase, ou disseminação, e aqueles estáveis.
Eles utilizaram uma tecnologia chamada sequenciamento exome para pesquisa. Este método é mais eficiente e rentável do que o sequenciamento do genoma inteiro porque concentra em apenas 1% do genoma humano - o exome - uma região altamente funcional que abriga a maioria das mutações causadoras de doenças.
Nos tumores agressivos, os pesquisadores identificaram um número de genes com mutações germline recorrentes (herdadas) ou somáticas (não herdadas), incluindo as variantes no TP53, gene que codifica a proteína p53 do tumor, que normalmente funciona como supressora, e GPC6, gene que codifica glypican-6, responsável por regular o crescimento e a divisão celular.
A equipe também descobriu mutações recorrentes em vários genes cujos mecanismos de desenvolvimento de câncer na próstata ainda não eram bem compreendidos, bem como milhares mutações únicas e individuais.
Os resultados mostraram que das quase 90 mutações associadas com tumores que são resistentes à supressão da testosterona, tratamento comum para a doença da próstata, cada tumor estudado tinham pelo menos uma mutação na via de sinalização Wnt, uma rede de proteínas conhecida por desempenhar uma variedade de funções importantes no desenvolvimento embrionário e no câncer.
De acordo com os pesquisadores, a descoberta dessas mutações genéticas deve fornecer pistas que explicam por que alguns cânceres de próstata são letais e, potencialmente, poderia ser usada para desenvolver testes de triagem para detecção precoce ou novas drogas para retardar ou parar o crescimento da doença.