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Nova técnica pode melhorar tratamento de metástase no fígado

Tipo agressivo de tumor, metástase hepática poderá ser tratada com isolamento do fígado para aplicação de doses de medicamentos maiores do que usadas em quimioterapia; nova técnica foi submetida à aprovação da FDA

Folha de São Paulo
Uma nova técnica promete melhorar o tratamento de pacientes com metástase hepática, tipo agressivo de tumor.

 

Batizada perfusão hepática percutânea, consiste no isolamento circulatório do fígado para a aplicação de medicamentos em doses maiores do que as usadas na quimioterapia convencional.

 

Segundo Krishna Kandarpa, que apresentará a técnica nesta semana no simpósio "Embolution", em São Paulo, o tratamento da metástase hepática, hoje, é limitado.

 

O médico explica que a dose de medicamento necessária para debelar o tumor dificilmente é alcançada na quimioterapia intravenosa devido ao risco de intoxicação.

 

Por isso, às vezes, opta-se por uma cirurgia que possibilita a aplicação de doses mais altas do remédio diretamente no fígado do paciente.

 

O problema, diz Kandarpa, é que o procedimento é muito invasivo- dura nove horas e exige até 15 dias de internação. "Se a dose aplicada não for suficiente, não há como submeter o paciente a outra cirurgia", diz.

 

Já a nova técnica dura três horas e, após três dias, a pessoa deixa o hospital.

 

O paciente passa por três incisões para a introdução de cateteres. Por um deles, é aplicado o quimioterápico. Outro cateter, com balões de ar, desvia o sangue do fígado para um filtro externo. Após a filtragem do remédio, o sangue retorna ao paciente.

 

Kandarpa diz que os testes foram feitos em pacientes que tinham o fígado atingido por melanoma, tumor originário da pele ou dos olhos.

 

Na última fase, foram analisadas 93 pessoas em dez hospitais. A sobrevida média chegou a 245 dias, contra 49 das submetidas às terapias atuais. Entre os que fizeram a perfusão, 86,4% tiveram melhora total, parcial ou estabilização. No outro grupo, o percentual ficou em 28,5%.

 

Para Eduardo Côrtes, coordenador do Núcleo de Pesquisa em Câncer do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, o tratamento é inovador.

 

Ele ressalta que muitas vezes a quimioterapia comum é prejudicado pela baixa capacidade do fígado doente de metabolizar os remédios. O paciente não suporta a dose.

 

"O princípio de fazer o remédio ir para o fígado sem passar pelo resto do corpo é muito interessante. Mas é preciso saber qual é a repercussão dessas altas doses sobre o funcionamento do órgão a longo prazo", diz, ressalvando que não teve acesso a detalhes da pesquisa.

 

A técnica, criado pela empresa americana Delcath, foi submetida à FDA (agência reguladora dos EUA).

 

 

 
 
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