
Apesar de ser considerado o menos problemático estado do Nordeste em termos de terapia intensiva, há um déficit de 223 leitos de UTI no Rio Grande do Norte, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde.
O déficit diz respeito não somente à rede pública, mas ao total de leitos no Estado, incluindo as UTIs dos hospitais particulares. O resultado disso é a constante formação de filas para a obtenção de uma vaga para tratamento de terapia intensiva. No Walfredo Gurgel, por exemplo, a fila diária varia entre 15 e 20 pessoas.
O problema é comum em todo o Brasil, especialmente no Nordeste. Segundo dados da Associação de Medicina Intensiva Brasileira, o RN é o único estado nordestino a atingir a marca de um leito para cada 10 mil habitantes.
Na avaliação da Sesap, isso não é suficiente. A formação de filas, por sua vez, é comum no setor público, embora o déficit seja medido em relação a todos os hospitais. O cálculo é feito da seguinte maneira: é preciso ter entre 4% e 10% do total de leitos chamados "gerais", para tratamentos mais simples, nas UTIs do Estado.
O RN deveria ter 9,5 mil "leitos gerais", embora só possua 7,6 mil. A Secretaria de Saúde fixou em 7% o percentual de leitos de terapia intensiva, o que obriga o Estado a ter 665 vagas de UTI, entre hospitais públicos e privados. Como só existem 442 leitos, o Estado tem o desafio de ampliar significativamente essa oferta.
É preciso entender também a relação entre as unidades de terapia públicas e privadas. As filas são mais comuns no setor público porque a maior parte da demanda é de usuários do SUS, mas, como o déficit é geral, não seria possível, por exemplo, resolver o problema contratando leitos na rede privada, a exemplo do que aconteceu no ano passado, quando o Estado e o Município de Natal contrataram respectivamente 32 e 10 leitos de UTI em três hospitais particulares.
Uma ação do Ministério Público Estadual tenta "obrigar" o poder público a resolver o déficit, aumentando a oferta até que a necessidade seja satisfeita. Mas isso não é possível. O coordenador de planejamento da Sesap, José Renato Machado, explica. "Mesmo se tentássemos contratar leitos privados, os hospitais não teriam como dar suporte, pois se fizerem o convênio com o SUS não terão como atender aos planos de saúde e aos demais clientes da rede privada.
É necessário criar mais leitos e o Estado terá de ser o indutor dessa expansão", diz José Renato. As dificuldades para conseguir expandir o número de leitos começa nos custos. Segundo o coordenador de planejamento da Sesap, cada leito de UTI custa em média R$ 100 mil, já incluídos os gastos com profissionais de saúde.
O poder público, ainda de acordo com José Renato Machado, não tem como providenciar todos os leitos de uma única vez e em pouco tempo. Mas alternativas estão sendo pensadas. As primeiras ações foram prometidas para o início de setembro e passam pela reabilitação da antiga clínica médica que funcionava no Hospital João Machado.